
Há aqueles pra quem a palavra dita,
é como oásis para a alma sedenta...
Eu prefiro a palavra ecoando
A que passa, transpassa
tácita, soturna, hermética
Propagando-se entre as linhas
Dessa página em branco.

E eu descubro a paz quando você me olha e teus olhos são como os meus. Eles me contam do tempo que tinha seu tamanho e seus sonhos e de quando meus pensamentos viviam em férias. Mas eu já caibo inteira no seu abraço. E eu te vejo agora construindo lógicas, falando de foguetes e naves, de dinossauros e capitais. Tão pequeno que quase cabia nas minhas mãos abertas, desejosas de ser coração e delicadeza pra poder tocar tanta fragilidade. E eu te sentia tão meu. Hoje você é vida que me escorre. Mas você compensa amor com amor e me faz ver que o tempo amadurece o fruto e o sol deixa-o ainda mais doce. E porque a natureza é velha e sábia senhora, eu busco a intensidade que ela me oferece ainda que a brevidade me roube a sensação do vento que brinca com os meus cabelos numa tarde quente e do sabor do seu beijo e da sua boca sugando meu rosto. Porque tem coisas que duram apenas uma eternidade. E enquanto o tempo te leva pra passear eu junto letras para embrulhar esse pacote de lembranças e me perco olhando as pétalas que voam. Elas já me perfumaram as mãos e "por desfolharem-se é que não têm fim". (Cecília Meireles) E eu vivo dessa magia que transforma pétalas amarelecidas em buquês de saudade.