Não houve abraço
Sem despedida
Porque nós nunca vamos
Para o amor não ha partida
sábado, 24 de março de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Da minha cadeira à Beira Mar Norte
Eram todos iguais os rostos
Opacos, cor de cinza
Roubaram-lhes o viço?
Eram todos iguais os rostos
Cerrados, circunspectos
Enclausurados
Eram todos iguais os corpos
Iam e vinham
Por tão mera condição
Corpos em movimento circular
Dão-se menos ao silêncio, aos olhares
Aos sorrisos, às coisas de dentro
Repetem, seguem a manada
Experimentam o que ja fora experimentado
É mais seguro!
Tolos, pensam...
Se diferem a casca, idêntico é o miolo
Não convem arriscar
E pisam
em terra firme
E olham
Ao longe das janelas mortas
E vivem
Como se fossem felizes
Os homens que não aprenderam amar.
Opacos, cor de cinza
Roubaram-lhes o viço?
Eram todos iguais os rostos
Cerrados, circunspectos
Enclausurados
Eram todos iguais os corpos
Iam e vinham
Por tão mera condição
Corpos em movimento circular
Dão-se menos ao silêncio, aos olhares
Aos sorrisos, às coisas de dentro
Repetem, seguem a manada
Experimentam o que ja fora experimentado
É mais seguro!
Tolos, pensam...
Se diferem a casca, idêntico é o miolo
Não convem arriscar
E pisam
em terra firme
E olham
Ao longe das janelas mortas
E vivem
Como se fossem felizes
Os homens que não aprenderam amar.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Alados
Porque se instalas
Entre a alma e a pele...
Como pássaro adormecido
Desperta-me de um sonho vivo
Suas mãos em concha
dão-me de comer
Dou-te abrigo
E voamos, criador e criatura
alados como sequer sabíamos
Adormeço eu, descansando sobre suas asas.
Entre a alma e a pele...
Como pássaro adormecido
Desperta-me de um sonho vivo
Suas mãos em concha
dão-me de comer
Dou-te abrigo
E voamos, criador e criatura
alados como sequer sabíamos
Adormeço eu, descansando sobre suas asas.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Tu e Eu
[Eu ja disse. Ele é genial! Mas leia umas duas vezes...coisa de louco!]
Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.
Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albinônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.
És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.
Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou penitente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.
És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.
Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.
(Luiz Fernando Veríssimo)
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