domingo, 26 de janeiro de 2014

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Amar é um verbo doído desde sua raiz, na sua origem, no seu radical. Amor é dor que desatina sem doer já disse Camões e assim como nos arrebata de alegrias nos preenche de seus contrários. É uma espécie de pacote. Não tem como levar só amor. Não se vende amor no varejo e há sempre a possibilidade, o risco. A gente leva e, pacote aberto experimenta a dor e a delícia. Amor dói principalmente porque no pacote vem junto distância, saudade, convivência com a dor do outro que amamos, perda, frustração, decepção. E que não venham com essa conversa que amor não faz sofrer. Faz sim. Amar dói tanto que até seu contrário que suporia ausência de dor, dói. Desamar dói tanto quanto. É um processo doloroso que não tem a ver com deixar de amar, mas com desaprender para reaprender de um jeito diferente porque há mesmo muitas formas de amor. O amor é uma espécie de camaleão dos sentimentos, troca de roupa e se camufla conforme as circunstâncias. E amar, esse querer estar preso por vontade, dói. Porque sabe-se como barco no porto que sua natureza é o fluxo, o curso, o movimento, que seu destino não é o cais. E é preciso desancorá-lo, soltar as amarras e deixar ir. Desamar é difícil pra caramba! Porque a gente não quer, a gente não quer, mas a gente precisa. Para doer menos! [E.Z]

domingo, 24 de março de 2013

Aos trinta e poucos



De repente a gente acorda e se dá conta. Não temos mais quinze anos de idade. E isso não tem a ver necessariamente com a forma como você se sente. Mas é assim que os outros te veem. Não são poucas as vezes que te chamarão de senhora e você irá torcer o nariz. Você não gosta mas se resigna. Respeito pela sua posição você pensa, tentando encontrar uma justificativa.


Você ainda carrega as coisas da meninice. É boba, imatura, carente, emburrada, teimosa, geniosa. A diferença é que junto com tudo isso você traz uma mochila nas costas carregada de coisas que os acúmulo dos anos inevitavelmente te dão de presente.  Você já viveu muita coisa. Já estudou, batalhou por emprego, já teve seu tapete puxado muitas vezes, fez escolhas importantes, assimilou perdas, já deu a volta por cima, por baixo... Antes você só dava voltinhas. E acompanhada. 

Talvez a gente ainda não saiba. Mas somos as mais bonitas das mulheres. Enganou-se Nelson Rodrigues quando escreveu que toda mulher deveria ter 14 anos. Não Nelson. Elas deveriam ter trinta e oito. Nós já sabemos que uma mulher não diz tudo despindo o vestido. Sabemos também que se for pra sofrer convém ser por uma boa causa  e que não é negócio resguardar-se diante da dor. Pelo menos não por muito tempo. Somos confusas. Vivemos no caos. Mas acreditem. Sabemos bem o que queremos. E o que não queremos. 

Sabemos burlar alguns decretos e já descobrimos o que é ter uma vida interessante. Nos permitimos ser doidas. Já descobrimos que sanidade full time, faz mal a saúde.
Não sonhamos mais em ser resgatadas da torre de um castelo. Mas acreditamos no amor. E queremos que nosso amado enfrente todos os dragões, feras famintas e tudo que ousar interromper nossos passos, como diria Roberto Carlos. Não acreditar é o primeiro passo para não existir.

O problema com esta faixa de idade, dizem, é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. Somos mais inteligentes, informadas e cultas, mas  invariavelmente mais irritadas e histéricas.  Somos um vitral de cores, partes, peças.  Mas não mais desejamos nossas metades. Somos inteiras. Não queremos alguém que nos preencha. Queremos alguém que nos transborde.

Somos Madames Bovarys. Maravilhosas. Nos achamos e merecemos ser achadas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Café

Tão generoso é aquele
Que de manhã cedinho
Prepara o café para os seus.
E põe a mesa tão bonita
E vai espalhando pelos cômodos
Aquele cheirinho de amor

domingo, 18 de novembro de 2012

E a vida que rasga
sangra
arde
Vida arte 
Rima
Poesia
E a vida que se divide
Se comparte
Vida que parte
Sem ao menos dizer porquê.


sábado, 21 de abril de 2012

Quase

um quase querer, um quase sentir, quase o meio, quase um passo, quase cansaço, a beira da estrada,  olhos voltados para os caminhos, quase regresso,  quase aceito,  outro passo, o olhar para o que ficou, quase perdido.
Quase abandono, quase  dor, quase um luto, quase sentir, quase nada.. E quase chego, quase alcanço, quase a tempo, quase inverno, quase, cinza, quase morte. Quase vivo e ja morri.