Nós saímos para brincar de noite
queríamos segurar aquela mesma lua
que beijou-nos
enquanto dormíamos
e o calor
da nossa falta de ar enquanto corríamos
Amam-me demasiadamente
as coisas breves de profundidade
E me demoro nessas urgências
Que me aproximam de lonjuras
Meu prazer é dor
O que me liberta, me acorrenta
O que sai de mim, o que me resta
Transborda em mim a sua falta.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Eternuridade
Queria dizer do menino que deve não saber que hoje é dia de domingo e faz sol. E que domingos são de sorrisos, de doce, cocada preta e flores de dentro.
Para dentro, o menino é só e silencio. Do jeito de quem segura a dor. De quem cresceu às pressas e já esqueceu da ciranda e do bicho-cola. De quem brinca de futuro sem naves ou foguetes. De quem os olhos não ousam digirir-se para cima, nem para o lado. De vida que já conhece o sabor do sal. Do sal que escorre pelo leito do rosto miúdo.Agora as sombras e a minha auto-insuficiência. Uma tristeza suave e demorada e eternuridade precipitada. Tanta...
Obrigado, foi só o que disse. Bem baixinho. A palavra amor é tão pequena e frágil. Para todas as outras não há razão. É só tentativa vã de tirar essa farpa.
Para dentro, o menino é só e silencio. Do jeito de quem segura a dor. De quem cresceu às pressas e já esqueceu da ciranda e do bicho-cola. De quem brinca de futuro sem naves ou foguetes. De quem os olhos não ousam digirir-se para cima, nem para o lado. De vida que já conhece o sabor do sal. Do sal que escorre pelo leito do rosto miúdo.Agora as sombras e a minha auto-insuficiência. Uma tristeza suave e demorada e eternuridade precipitada. Tanta...
Obrigado, foi só o que disse. Bem baixinho. A palavra amor é tão pequena e frágil. Para todas as outras não há razão. É só tentativa vã de tirar essa farpa.
domingo, 27 de setembro de 2009
Incandescência
E sob a lua
despida...
O amor tecendo
Vontades
Dos versos bordados no lençol
daquela poesia que arde.
E nessa nossa trama
Se você chama...
Eu fogo.
despida...
O amor tecendo
Vontades
Dos versos bordados no lençol
daquela poesia que arde.
E nessa nossa trama
Se você chama...
Eu fogo.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
De(cor)ando vitrais
Meu todo são esses pequenos cacos diários. Nem sempre o que parte se quebra. Há inteireza nos pedaços. Há que se enxergar com cabeça e coração. Olhos só vêem. E há que se permitir dar o segundo passo. Há ainda que se aprender a decorar vitrais: cores, texturas, formas...
Igual como nos tempos de meninice, deitada no chão, pernas para o ar, quando eu passei a enxergar que as coisas, o mundo, é feito de encaixes. Cada peça no seu lugar...um pedaço da árvore, o telhado da casa... Devagar e sem distração. Ao final um sorriso largo colava no meu rosto. Eu aprendia a viver.
Viver é procurar encaixes, alguém disse. Mas para que haja encaixe é preciso que cada parte seja incompleta. Pra fazer sentido. Quando as duas partes se encaixam a felicidade acontece. Sem contudo, deixarem de ser partes, ocos, cacos...Porque quem ama é pobre, está sempre à espera, à procura.
Mas a louça de porcelana - essa não teve jeito. Era o seu presente mais caro. E o meu coração disparou, e você me afogou com suas lágrimas. Eu pensei que naquele instante minha avó morrera para sempre. E me cobri de tristeza. Por você. Porque você não entendeu que cacos viram pó. E que não há forma de ser outro sem antes virar pó.
E eu aprendi a me descuidar cada vez mais. Porque viver é assim. Viver é um descuido prosseguido. (Guimarães Rosa)
Imagem daqui
Viver é procurar encaixes, alguém disse. Mas para que haja encaixe é preciso que cada parte seja incompleta. Pra fazer sentido. Quando as duas partes se encaixam a felicidade acontece. Sem contudo, deixarem de ser partes, ocos, cacos...Porque quem ama é pobre, está sempre à espera, à procura.
Mas a louça de porcelana - essa não teve jeito. Era o seu presente mais caro. E o meu coração disparou, e você me afogou com suas lágrimas. Eu pensei que naquele instante minha avó morrera para sempre. E me cobri de tristeza. Por você. Porque você não entendeu que cacos viram pó. E que não há forma de ser outro sem antes virar pó.
E eu aprendi a me descuidar cada vez mais. Porque viver é assim. Viver é um descuido prosseguido. (Guimarães Rosa)
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