sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Do que resta


Resta-me a certeza de que vida
é algo além da dor
Que se abate
Colada à esta face
Percebes
Nada mais resta.
Sou parte
Ínfima,
da inteireza que se doou,
se perdeu e se partiu
Aquela
A que dormiu amando
E acordou saudade.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Submerso

Foto: Rafaela

Se a alma espera
Se depois da noite
O sol impera
Se os mares que percorro
São profundos
Se em águas turvas
Te espelhas...

Se há ainda
a fenda aberta na pedra
na carne...
E sal dos olhos
rompendo silêncios
Se os espaços
tomam em ondas os versos
A palavra é só melodia
Dizendo do meu querer.

Para o sentir - oceano
Para a razão - o mergulho
Se para o amor
o cais
Para o amar
o fundo do mar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Queria te dizer...

Imagem: Josef Sudek

"Tudo passa. Na vida, tudo passa. Mas nem tudo que passa, a gente esquece."
Chico Pedrosa

sábado, 16 de janeiro de 2010

Impressões

Mulher nua, deitada de costasJoguei fora
todas as minhas impressões.
Fiquei só
com suas digitais em meu corpo...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Do amor e de amar...

duas canoas ancoradas na margem de um rioFoto: Marion Rupp

Amor é o que se aprende no limite. Amor começa tarde...
Fiquei com isso o dia inteiro.
Amor de olhares e encontros mudos. Amor de pele que encobre a alma. Não precisa de presenças, sobrevive do que já não é e do que restou, mas do melhor que misturou-se a cada um e do que fez a cada um melhor. É amor que crava entrelinhas nos olhos, mas que sabem-se reconhecidas, uma a uma... compreensão antecipada. Não escorre, absorve e vira seiva. E cresce com a mais remota chuva. Não é de palavras. É de semântica. É amor de catalogar memórias e cicatrizes [doer junto é a forma mais linda de amar]. E da ameaça do riso da hora em que as mãos, como algemas, sabem-se a pedra mais preciosa: resistente e frágil. Sabe-se o custo de cada sorriso. Por isso a profusão. Relógios pra que, se aprendeu-se a entender os sinais? Amor que é de mansinho, não porque há certezas do futuro, mas porque há o cuidado com cada minuto seguinte. Amor desse jeito que desinventa os mapas, porque sabe que sempre há um novo caminho. O vento não deixa o tamanho. Que sabe que sabe pouco, mas desconfia de tanta coisa...Amor que sabe que é preciso amar e amar mais, depois de ter amado.

Texto em itálico: Carlos Drummond de Andrade